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A voz da sabedoria: Harry Potter e As Relíquias da Morte – Parte 2

18/07/2011
Hermione, Rony e Harry.

A marcha inexorável do tempo.

No sábado, às 21h30, estava tudo acabado. Não havia mais espectativas, o mundo de Harry Potter finalmente havia tocado seu acorde final. Sempre haverá alguma coisa acontecendo, e há quem afirme que Rowling ainda revistará o universo. Mas acabou, pelo menos uma fase disso.

Nessa nota, fica um pouco difícil escrever essa resenha. Fui apresentado ao mundo de Harry Potter pela minha mulher (então namorada) em 2003, assistindo ao primeiro e segundo filmes em DVD, mas só mesmo quando vi o terceiro (para mim, o melhor de todos) no cinema que acendeu uma lâmpada na minha cabeça. Já depois do quinto filme, depois de muita insistência de meu amigo de longa data Felipe “Leque-Treque” Domingues, que resolvi ler os livros, e o jovem bruxinho se tornou uma obsessão. Uma obsessão bastante adulta e heterossexual, devo ressaltar, mas ainda assim obsessão. Comprei tudo, li tudo. Mas ainda havia os filmes, ainda havia a expectativa: farão os filmes juz aos livros originais?

Em bom medida, eu diria que sim. Esse último filme apoiou-se muito em alguns dos maiores acertos da série, o que reduziu sensivelmente o impacto dos erros anteriores (especialmente em O Cálice de Fogo e A Ordem da Fênix).

Como já era de se esperar, todos os acertos da primeira parte de As Relíquias da Morte persistiram na segunda parte, afinal, foram produzidos, filmados e editados juntos. Todo o clime de desespero, desolação e blá-blá-blá está lá. Ficou um bocado mais pronunciada a diferença de maturidade de Daniel Radcliffe, que de um ator pouco competente em O Cálice de Fogo agora parece seguro e resignado. Os três protagonistas abusam de sua química em cena e, mesmo com pouco tempo de tela, são indiscutivelmente sempre divertidos e emocionantes. Muito impressiona também Mathew Lewis, intéprete de Neville Longbottom, cuja transição de menino atrapalhado para líder revolucionário foi bastante convicente e orgânica. Fico só um pouco incomodado que a participação de Alan Rickman nesse filme, certamente o mais importante da história de Severus Snape, tenha sido um tanto piegas. Mas a cena dele encontrando Lily Potter morta é realmente de arrepiar.

O que me leva àquele que talvez seja o grande problema do filme: suas partes mais emocionais são terrivelmente abreviadas. Acho que o diretor David Yates quis muito, mas muito mesmo, fazer juz ao caráter épico do último episódio, ignorando eventos muito emocionais com as mortes de Fred Weasley, Remus Lupin e Nymphadora Tonks. Yates certamente fez um filme épico, mas o preço foi torná-lo um tanto emocionalmente neutro, especialmente para quem não leu o livro. Mas talvez seja esse o objetivo: que não leu o livro não tem uma relação muito próxima com Lupin e Tonks, mas ainda assim. O filme é mais épico que trágico, e isso foi um erro.

Na ação, não há o que reclamar. Cenas bem desenvolvidas e coreografadas, embora em alguns momentos tenham me parecido meio confusas. A cena na Sala Precisa ficou perfeita, mas o resto também ficou bom.

O que realmente destoou para mim foi tudo relacionado a Voldemort, o que é estranho pois Ralph Fiennes é um puta ator. Achei que Aquele-Que-Não-Podia-Ser-Nomeado-Mas-Aparententemente-Ninguém-Mais-Tem-Problema-Com-Isso estava um tanto histriônico, e a destruição de suas Horcruxes me pareceu infinitamente mais drámatica que sua morte em si.

Mas não sou só críticas. O filme é sim muito bom e, mais importante que isso, coeso. Se relaciona muito bem com a série como um todo, e é um final digno para a saga do bruxinho nos cinemas. Se durante toda série errou-se muito, não me parece ter sido por vaidade ou lucro. Como Peter Jackson em O Senhor dos Anéis, tentou-se manter presente a verdadeira matriz da história. Stephen King falou tudo quando lhe perguntaram como se relacionava com séries como Harry Potter e Crepúsculo:

Harry Potter is about confronting fears, finding inner strength and doing what is right in the face of adversity. Twilight is about how important it is to have a boyfriend.

Isso esteve lá, o tempo todo. A essência de Harry Potter, sua humildade, lealdade e coragem não foram só detalhes da saga cinematográfica, mas sua força motriz. E é disso que todos sentiremos falta.

O 88 Milhas por Hora dá para esse filme 8,002 patas de morcego.

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4 Comentários leave one →
  1. 18/07/2011 11:00

    Só há uma solução para a morte de Voldemort: usar Sean Bean como dublê de Ralph Fiennes na cena final. #NinguémMorreComoSeanBean

  2. Eduardo Derbli permalink*
    21/07/2011 10:35

    Eu acho que a última horcrux que acabou com ele, a maldição dele perdeu força e efeito. Não vi nada voltar nele, só a varinha voando, o que entendi ser o único motivo daquele combate, do contrário Voldemort teria simplesmente definhado e desaparecido.

    Fiquei curioso em relação ao que você achou assim tão ruim na direção do filme. Até porque Columbus foi bom porque colocou a coisa em movimento, mas também achei que Cuarón fez um bom trabalho, apesar do Radcliffe.

    • Eduardo Derbli permalink*
      25/07/2011 09:22

      Não sei se isso é só direção. Quando Yates chegou, essa galera já tava toda junta a anos, é complicado. Além disso, concordo com alguns momentos de apatia, mas não acho que seja a regra.

  3. ivan permalink
    23/07/2011 09:11

    A morte: a última horcrux foi destruída, enfraquecendo definitivamente o vilão, trazendo-o ao nível dos “mortais”. A maldição dele perde a força e recua diante da do Harry, retornando para dentro da varinha (o que pode ser observado pela cor verde no interior da mesma; a do Harry porém não “penetra”, por assim dizer). Ou seja, antes de voar a varinha se enche de energia verde da maldição e dá a impressão de que vai explodir. Meu Conselho de Jovens Bruxos interpretou que neste momento o próprio feitiço tocou em Voldemort e portanto ele teria morrido do seu próprio veneno.

    As observações do post estão todas pertinentes. O diretor simplesmente persistiu nas escolhas da Parte 1. Na minha imaginação a morte do Dumbledore teve imagens dignas de uma novela mexicana. Acho que essa opção pela menor dramaticidade acabou, por exemplo, fazendo com que a molecada lamentasse muito mais a morte Dobby, melhor explorada, do que a do professor. Porém, a vida adulta, na qual deixamos a história do bruxo inglês, consiste justamente de fazer escolhas e conviver com elas, não é mesmo?

    O fato é que gostei do fecho como um todo. E se o filme foi menos emocional que gostaríamos, a resenha do 88 foi mais emocional do que eu esperaria…
    E isso não é uma crítica!

    Por fim, é vero, ninguém morre como o Sean Bean… Alguém tem um link dessa lista?

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