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A voz da sabedoria: Planeta dos Macacos – A origem

29/08/2011
Dr. Gori

Talvez se ele estivesse no filme...

Todos sabemos que não há mais nada sagrado neste mundo. Tudo o que poderia ser profanado o foi, mais de uma vez, e das formas mais sujas e grotescas possíveis. Talvez por isso, a resistência do público especializado a remakes e reboots tenha arrefecido – na média, as pessoas lidam melhor com seus sucessos e falhas, mas o nível de exigência das pessoas em relação a coesão, andamento e lógica aumentou bastante. É muito importante que tenhamos isso em mente ao analisar Planeta dos Macacos – A origem. Spoilers a seguir.

As produções originais são clássicas, mas uma análise crua nos permitiria perceber muitos problema nas mesmas (não vou me estender nisso). O penúltimo filme, aquele péssimo de Tim Burton, não se esforçou em nada para resolver esse problemas, e talvez esse tenha sido seu maior erro. Isso ou Mark Wahlberg, sei lá, é difícil dizer. O novo filme, dirigido por Rupert Wyatt, é mais correto. Ele é bem dirigido, bem conduzido, coerente e atual. Ele é bem equalizado em termos de ação, ciência (mesmo que tecnicamente incorreta), romance (quase nenhum), drama familiar… mas não tem alma. Falta ao filme algo que eu duvido muito que possa ser trazido pelo diretor, só mesmo pelos atores e, nesse caso, os animadores do mezzo-chimpazé César.

Os animadores de César são alguns do melhores atores do filme, auxiliados por mais um desempenho fantástico de Andy Serkis. O chimpa tem mais personalidade, sensibilidade e alma que James Franco e Freida Pinto juntos, que por acaso têm zero química na tela. É possível perceber claramente em César frustração, raiva, sentimento de vingança e inteligência em seus olhos – é como se pegassem tudo o que foi feito no King Kong de Peter Jackson e levassem um passo adiante. Contudo, não foi o suficiente para trazer ao filme a sensibilidade necessária, trazer a relação de homens com animais (e como animais) à frente, indo além daqueles sensação de “quando vai começar a revolução, hein?”. Quando falo de um filme sem alma, falo de um filme cuja mensagem final não seja “cuidado com a ciência” mas “cuidado com as pessoas”.

James Franco é uma incógnita para mim – ainda não sei se é bom ator ou ruim, e esse filme pende um bocado mais para a segunda opção. Freida Pinto é nula – incapaz de gerar qualquer reação, mesmo com aquele rosto. A participação de John Lithgow é uma grata surpresa – a cena na qual ele se nega a tomar o remédio era previsível, mas ainda assim ele a executou com maestria, sem precisar de uma só palavra.

No geral, o filme é bom. Mas ele simplesmente parece não se importar muito com seus temas mais importantes, e os sacrifica para ser um filme tecnicamente correto.

O 88 milhas por horas dá para esse filme 7,034 jujubas sortidas.

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2 Comentários leave one →
  1. 29/08/2011 11:48

    <>

    Excelente leitura! Quem dera todos os filmes do tipo fossem assim…

    • 29/08/2011 12:10

      O sinal comeu o trecho que eu queria citar, que é este aqui:

      “Quando falo de um filme sem alma, falo de um filme cuja mensagem final não seja “cuidado com a ciência” mas “cuidado com as pessoas”.”

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