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A voz da sabedoria: As aventuras de Tintin

23/01/2012
Imagem de Le Secret de Licorne

Imagem original de uma das duas histórias que deram origem ao filme.

Nós não temos por aqui o hábito de fazer follow-up de muitos filmes, especialmente porque não temos tanto tempo assim para dedicar ao blog. Sendo assim, não postamos trailers, notícias, making ofs ou qualquer outra coisa sobre As aventuras de Tintin além do primeiro trailer, embora eu confesse que tenha acompanhado de perto. E posso dizer sem medo de errar: qualquer apreensão que esse material tenha provocado em mim foi em vão. O filme é quase perfeito. Digo quase  porque eu não saí do filme maravilhado, mas tampouco consigo apontar qualquer problemas específico no mesmo. Talvez seja só pela transposição de mídia, não sei. Mas o filme é incrivelmente bem realizado, e eu vou dizer por quê.

O tom é perfeito. Sempre gostei que, nos livros do Tintin, você raramente tinha dúvidas em relação a quem era o vilão. Os protagonistas, antagonistas, alívios cômicos, tudo é colocado na mesa muito cedo para que você não seja obrigado a ficar pensando nisso – é uma história de mistério, mas não de graaaaandes reviravoltas. O que importa é a história.

Os personagens estão muito bem caracterizados – a dublagem, por Bob, é exatamente como eu imaginaria. Mas o que realmente me impressionou foi o design dos personagens e a animação. Temia um uncanny valley effect, mas a escolha por utilizar designs levemente caricaturados de acordo com o traço original da revista dissipou completamente isso. Também fiquei preocupado com o filme ser um pouco mais sombrio do que deveria, acompanhando essa mania já insuportável de fazer tudo dark and gritty, mas não: mantiveram o tom da história, suas texturas e paletas muito próxima daquelas dos quadrinhos, com um leve toque realista para efeito de credibilidade e ponto.

Mas acho que o grande mérito foi tornar a coisa toda mais dinâmica. Não abriram mão do penchant detetivesco do personagem, mas tornaram tudo mais dinâmico – planos abertos, brincadeiras com profundidade de campo (fortemente auxiliadas pelo dispensável mas curioso 3D), sequências de ação muito bem coreografadas e outras técnicas clássicas de cinema fizeram com que o filme fosse além dos recursos com os quais os fãs estavam acostumados.

Spielberg e Jackson fizeram algo muito parecido com o que Snyder fez com Watchmen: perceberam com perfeição quais partes do material original funcionariam e decidiram não transpor, mas transformar em filme, aproveitando os recursos da mídia com inteligência e ousadia. Novamente, Spielberg mostra que ainda tem muito a oferecer ao cinema e Jackson, que sua carreira como contador de histórias está só começando. Entre rupturas narrativas e sutis homenagens, fizeram o melhor filme que se poderia fazer para Tintin.

O 88 Milhas por Hora para para este filme 9,699 billions of bilious blue blistering barnacles.

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3 Comentários leave one →
  1. ivan permalink
    24/01/2012 02:40

    Hora da confissão: nunca li e praticamente nada sei sobre o Tintin. Vi alguma coisa de passagem nas animações da TVE… (Era ele mesmo?) A única coisa que eu achava é que ele parecia um dos “Sobrinhos do Capitão”, depois de crescido (cacilda, sou velho mesmo!). Por isso não me animei com essa história do filme e nem entendia muito o frisson em torno de. Mas depois de um post desses, é impossível deixar de conferir. E de ir atrás dos quadrinhos, logo que der!

    • Eduardo Derbli permalink*
      24/01/2012 08:31

      Recomendo. Progredindo no assunto, alguns podem achar que o filme ficou um pouco chapa branca – ficaram quase inteiramente ausentes alguns aspectos políticos e sociais das histórias originais, mas não acho que tenha sido acaso: talvez esses aspectos fossem tornar o filme anacrônico, e não vintage. Mas como sempre, transposições de mídia precisão ser analisadas de forma autônoma, uma vez que nem todos os recursos são intercambiáveis.

  2. 09/08/2012 15:57

    esse desenho é um clássico,amo ele!

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