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Reagindo de forma imparcial e comedida à nova marca da DC Comics

01/02/2012

Muitas pessoas perguntaram minha opinião sobre a nova marca da DC Comics, visto que sou designer gráfico de formação e fã incondicional dos heróis da editora. Justo quando estava providenciando a formalização da minha opinião, surgiu esse vídeo, no qual uma pessoa tem exatamente a mesma reação que tive quando vi.

Exageros à parte, eu simplesmente não gostei da marca. Achei muito corporativa, simplesmente me parece sem propósito, cliché e desconectada do tema – no caso, quadrinhos. Já seria uma marca meio mais ou menos para uma editora, mas para uma editora especificamente de quadrinhos… meh.

Via Nerd Bastards.

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5 Comentários leave one →
  1. Andre de Lemos permalink
    02/02/2012 11:18

    Uma viagem esse novo logo.Por mais que haja um conceito ali, eu não achei tao legal. Mas que sei sobre isso?

    Bom, esse novo logo transmite a idéia de uma dupla identidade, como a dos heróis de suas revistas, pois quase todos possuem seu alterego. É plausível e até mesmo verossímil, mas eu acho que não para por aí. Do ponto de vista estético, o que esse logo me transmitiu? Eu acho que o Duda tocou no ponto fundamental: a palavra de ordem é “Corporativo”. A própria imagem remete a um “band-aid” ou adesivo qualquer sendo arrancado de cima do “C”. Como se a “Detective Comics” precisasse levantar seu capuz e mostrar seu alterego como “The Corporation”.

    O novo logotipo foi criado pela “Landor Associates”, uma das maiores empresas de identidade corporativa no mundo atualmente. Sua lista de clientes contém grupos como a Coca-Cola, a Levi’s, a Blackberry, a Smirnoff, a Citroën e o cada vez maior e mais rico Banco Bradesco. Acho que as mudanças na DC, mas não apenas nela – na indústria do entretenimento como um todo – nos últimos anos refletem, nesse caso desde a logomarca, que ela já se tornou uma marca que trata menos de quadrinhos, mas de um vasto conjunto de coisas. Além disso, que ela está mais atenta ao lado do “business”, ao jogo corporativo, à visibilidade internacional da sua marca, em termos especulativos mesmo: atenta mais aos acionistas do que aos leitores, até porque seu público hj é muito mais vasto do que apenas os clássicos leitores de quadrinhos. Não à toa a DC Comics é parte de um coletivo muito maior chamado DC Entertainement.

    Isso pode ser muito bom ou muito ruim para a qualidade do material oferecido, em detrimento da quantidade vertiginosa que é lançada todos os dias. Isso só o tempo e o 88MPH(!) dirão! Rs… Mas o fato me parece ser que a guerra hoje é travada em outra escala, mais corporativa mesmo. O tempo das disputas em bancas de jornal ou “comicbooks stores” espalhadas pelo mundo acabou. As Eras de Ouro e Prata, talvez, terminaram.

    • Eduardo Derbli permalink*
      02/02/2012 11:35

      Meu problema com a marca é justamente a questão corporativa, como afirmei mais não elaborei. Não tenho cada contra grandes corporações, altamente diversificadas e eficientes. Acho que é o caminho natural. Mas também acho que você está confundindo o modelo de negócio da empresa com sua identidade. Se as grande editoras e produtoras estão seguindo para o caminho de ampliar sua lista de serviços, cresce no mercado a necessidade de identificação, ou seja, relacionamento do cliente com a identidade da marca. A DC pode ser uma corporação com milhões de coisas, mas é, em essência e, especialmente, naquilo que a tornou famosa, uma editora de quadrinhos.

      Ao que me parece, a DC decidiu colocar a agenda corporativa à frente da identidade da empresa, e eu considero isso um erro de posicionamento de mercado. A Coca-Cola, por exemplo, se tornou muito mais um refrigerante e fez ajustes na sua identidade, tornou-se mais corporativa sem mudar a essência da mesma.

      A guerra pode até ser corporativa. Para elas. Pessoas não se relacionam com corporações, mas com os produtos, com a imagem da empresa – que ela compra ou não.

      Isso sem levar em conta os problemas formais da marca (http://www.underconsideration.com/brandnew/archives/dc_may_be_its_own_villain.php, dica da Fernanda Colodetti), que além de problemas de posicionamento, são problemas de realização…

  2. Andre de Lemos permalink
    02/02/2012 14:14

    Acho que não me expressei bem. Vou reformular: para mim, a mudança de logo significa uma mudança, voluntaria e deliberada, da própria identidade por parte da empresa. Ou seja, resolveu colocar a agenda corporativa na própria identidade da empresa. Certo ou errado, não é o ponto, nem me importa, pois isso só o tempo dirá. Aliás, nem sou expert em negócios, nem tenho bola de cristal para advinhar o que se seguirá.

    Para mim, a mudança da logomarca envolveu uma estratégia de desvincular a empresa que ela representa dessa “essência” a que vc se referiu acima: ser uma editora de quadrinhos. E por que? Pois nada é pior para uma corporação hoje do que alimentar ou conservar valores tradicionais como identidades, no sentido romântico do termo. O liberalismo econômico tem essa premissa. A força das grandes corporações está exatamente na sua capacidade plástica de se adaptar às novas situações e às transformações que o mercado sofre diariamente. Essências, ou naturezas, assim como identidades “prontas” são muito duras. Não interessam mais. Noutras épocas sim, eram a base de tudo, mas não mais.

    Minha observação foi exatamente enfatizar que a estratégia deles com a mudança é se reinventar como empresa/marca e como identidade, agora menos restrita à edição de comics, porém sem virar suas costas para essa que ainda é uma gorda fatia de seu faturamento. Eles querem mais, com isso a identidade se amplia juntamente com a marca que agora implica uma idéia mais corporativa. Eles querem uma nova identidade, para isso precisam superar a “velha”. E isso é um projeto que se inicia com a mudança do logo, mas passa por toda a estrutura da empresa e atinge, mas não imediatamente, aos consumidores. Uns virarão as costas, mas e os próximos?

    A reinvenção de uma identidade leva tempo. Novas gerações de consumidores, alguns até bastante conscientes, crescerão diante da nova marca e a política empresarial da DC não lhes parecerá nada estranha, ao contrário. Será vista como natural. Não como uma identidade reinventada. Mas a própria identidade, em si, unívoca e monolítica. Que sempre foi e sempre será. Essa ilusão de integridade foi criada antes, e é isso que eles querem reinventar agora, porém focando outros elementos.

    Como estamos vendo, nenhuma identidade é assim tão fixa ou monolítica. Inclusive, são os usos das atribuições simbólicas (como logomarcas) que permitem (ou não) a articulação de valores de uma marca à identidade ou credibilidade desta para com seus consumidores, mas isso leva tempo. E a fatia de mercado que eles visam não somos apenas nós, os velhos de guerra, mas os que virão.

    • Eduardo Derbli permalink*
      02/02/2012 14:42

      Eu também não disse que não ia dar certo. Existem centenas de outros fatores além da marca que influenciam o reposicionamento de uma empresa. Só disse que acho errado. O fato de estar errado não significa que não vai dar certo, afinal, a história está cheia de exemplos de erros que deram certo.

      Bicho, eu não conheço nenhum profissional da área, especialista ou crítico que afirme que uma empresa precisa se livrar de seus valores tradicionais para se reposicionar ou se manter bem posicionada no mercado. Valores não são, de forma alguma, engessados, pois são premissas. São guias gerais que podem (ou não) determinar certas posturas e estratégias, mas não implicam em uma empresa engessada. Não existe empresa no mundo com identidade mais “monolítica” que a Apple: mesma marca há anos, todos os seus produtos têm mais ou menos o mesmo nome… e ainda assim, a empresa é mundialmente conhecida como exemplo de constante evolução tecnológica.

      E é aqui que está o problema. Uma marca não pode, nunca, tentar representar tudo de uma empresa, somente sua essência. É a marca que representa não o que a empresa faz ou o que pode fazer, mas o que ela é. A marca representa o que, a rigor, não está lá. Por isso que marcas literais são sempre fracas. Esse é o princípio básico do branding: você precisa se conectar com as pessoas. Essa marca da DC é genérica, e se um dia ela representar algo para alguém, vai ser pelas implicações de sua presença, não pela sua pregnância natural.

      E deixo claro: não acho a marca anterior lá grandes coisas. Gostava muito mais da do Milton Glaser, mas ela conseguiu manter-se próxima à anterior, permaneceu uma marca de editora de quadrinhos. A DC abriu mão da sua natureza em nome deste liberalismo econômico. Vai funcionar? É possível. Mas em um movimento, a DC abriu mão da sua essência, pelo menos na marca.

  3. ivan permalink
    04/02/2012 16:09

    Hã? Do que vocês estão falando mesmo?!?

    Ah, da parada do Hans Donner…

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