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A voz da sabedoria: John Carter – Entre dois mundos

19/03/2012

Yummy.

Vou começar dizendo que nunca li nada das histórias originais de Burroughs, então talvez eu não seja a pessoa mais qualificada para essa resenha. Ainda assim, penso que conheço um pouco de cinema, um pouco mais de cinema de ficção científica e um bocado sobre reclamar, então talvez eu esteja sim qualificado.

Sendo assim, antecipo que o filme não é bom. Também não é ruim. Na verdade, talvez seja um pouco ruim sim.

Eu tenho profunda admiração por Andrew Stanton, o diretor do filme. Sua contribuição para o cinema (Toy Story, Procurando Nemo, Wall•E, dentre outros) já é o suficiente para ele intregrar meu top 20. Mas ele pareceu simplesmente sub-qualificado para esse projeto. Ao passo que em seus projetos anteriores, a grandiosidade era eclipsada por histórias muito, mas muito boas, em John Carter tem-se a sensação de intenso e constante bombardeio, como se a cada minuto fôssemos obrigados a perceber e decodificar alguma coisa. O filme é terrivelmente cansativo – tem uma quantidade enorme de informações atropeladas. Fora que, em grande parte do filme, eu tinha a sensação de estar assistindo a um reboot de Avatar. O exagero na computação gráfica e a força constante para tornar épico algo que não é são exaustivos.

Os atores, TODOS, estão péssimos. Até Mark Strong, que conseguiu se salvar naquela aberração que foi o Lanterna Verde está mal e caricato. Se você parar pra pensar que os dois protagonistas estavam no filme do Wolverine, não poderia se esperar lá grande coisa. Mas Taylor Kitsch ainda é o maior problema. Ele até começa bem – nas sequências iniciais realmente consegue se conectar com o público. Mas após sua “conversão” em Marte, ele se torna mais um no cenário, um herói sem empatia.

Mas o filme tem seu lado bom. O roteiro, em si, é bom, há que reconhecer o mérito. É uma trama bem montada, mas muito mal realizada – as mudanças de contexto não são nada orgânicas, e nós nunca de fato sentimos a confusão do personagem ou seus conflitos.

Avalio esse filme como um grande desperdício. Desperdiçou-se uma boa história e um bom diretor, mas é possível que o próprio último possa ser o culpado. Confundir ousadia com megalomania não é comum a diretores da Disney/Pixar – normalmente isso fica nas mãos de Camerons e Bays da vida. Enfim, todo mundo saiu perdendo.

O 88 Milhas por Hora dá para este filme 2,112 saltos em baixa gravidade.

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