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A voz da sabedoria: O Cavaleiro das Trevas Ressurge [Spoiler Full]

27/07/2012

o.O

Como nosso colaborador André destacou em sua resenha, tríades são um pilar cultural, e tornaram-se uma ferramenta narrativa para muitos diretores e roteiristas. Isso também vale para Christopher Nolan.

Ele estabeleceu uma linha narrativa clara, e realizou o escalonamento da violência de forma correta e crível. Como muitos disseram antes de mim, O Cavaleiro das Trevas Ressurge (daqui para frente CDTR) é, acima de tudo, o encerramento de uma narrativa. Mas qual?

Veja bem, não é que eu tenha achado o filme ruim. Não, é bom. Muito bom até. Mas ele conta com uma quantidade enorme de “coincidências” e eventos que não parecem orgânicos, mas colocados ali simplesmente para tentar oferecer mais contexto. Talvez se o filme fosse maior, ou fosse divido em dois, sei lá, houvesse forma de tornar algumas coisas mais palatáveis.

Para começar, vou confessar que toda essa história de “doomsday machine” me incomoda. Incomodou em Batman Begins (daqui para frente BB), e certamente incomodou agora, especialmente porque achei que Christopher Nolan tinha superado a necessidade de McGuffins para conduzir a trama – O Cavaleiro das Trevas (daqui para frente CDT), embora tivesse lá algumas inconsistências, fez dos personagens sua força motriz.

Achei toda a história da Mulher-Gato um pouco McGuffinada também. Gostaria de tê-la visto por mais tempo como vilã – muito rápido ela se tornou cúmplice, com todos os seus motivos nobres expostos bem cedo na trama. Assim ficou muito fácil para Bruce projetar nela sua própria necessidade de recomeçar (sabe lá Bob-Todo-Poderoso com que dinheiro, mas tudo bem). Embora Hathaway esteja bem (eu diria até ÓTIMA), sua história parece um pouco atropelada, abreviada.

Toda a questão do Alfred também me incomoda. Achei sensacional a parte dele na história, que parece simplesmente cansado e envelhecido por todo o sofrimento a que foi exposto. Mas a forma como ele abandona o Bruce me incomodou – conhecendo-o como conhecia, ele sabia que Bruce não desistiria. Contar sobre a escolha de Rachel foi foda, mas abandonar a casa e ele à própria sorte… hmmm… sei não. Mas eu chorei quando ele chorou sobre o túmulo do Bruce.

Embora tenha gostado da história Bane / Talia, achei a morte de Bane gratuita. Depois que a Talia surgiu, a imponência assustadora de Bane desapareceu. Tá, eu entendi que ele não era o mastermind da parada, mas merecia um final mais digno. Tom Hardy estava muito bem, especialmente se levarmos em conta que ser expressivo com aquela máscara não é fácil.

Também acho que a questão do Harvey Dent não foi bem tratada. A revelação da verdade sobre a sua morte deveria ter sido tratada com mais pompa e circunstância – a única coisa que parece realmente afetada por isso é a relação de Gordon e Blake. Na hora da revelação, a merda já tinha estourado, a maioria das pessoas estava mais preocupada com a porra da bomba atômica que com a morte do seu suposto paladino, 8 anos antes.

Talvez de tudo, o que mais me incomodou, foi a falta de referência ao Coringa – não percebi nenhuma. Tenho absoluta certeza que CDTR seria um filme um bocado diferente se Heath Ledger não tivesse morrido, e entendo os problemas em fazer referência a ele. Mas não dá para imaginar que o maior nêmesis do Batman até então seja deixado de lado. É claro que não precisavam relacionar diretamente o Coringa à Liga das Sombras ou algo assim, mas alguma menção ao que ele fez ou seu destino deveria ter acontecido. Tenho a impressão que se você colocar BB e CDTR colados, um no outro, parece que nem tem um filme entre eles.

E ainda tem alguns problemas que eu prefiro nem elaborar, ou nunca terminarei essa resenha.

  • Havia alguém em Gotham que não conhecesse o Bane?
  • Havia alguém em Gotham que não soubesse a identidade do Batman?
  • Como foi que o Gordon, nos 49 segundos que ficou consciente nos subterrâneos de Gotham, descobriu que uma mega-operação estava acontecendo lá? Tipo, ele viu uma dúzia de bonecos armados vivendo numa fossa.
  • Por que raios a Miranda Tate / Talia al Ghul deu pro Bruce Wayne?
  • Por que raios o Lucius Fox fez mais três Tumblers?
  • Por que o Batman não decidiu logo pegar a bomba com o bat-percevejo e jogar no mar de uma vez por todas em vez de reconectar na maquininha?
  • Por que raios chamaram o Blake de Robin e não de Dick Grayson? Para que todo mundo entendesse? Emburrecimento desnecessário.
  • O que caralhos fazia o Mindinho naquele avião?
  • Dentre outras…

Confesso-me decepcionado com o filme – esperava mais. Mas com todos esses problemas, o filme ainda conseguiu ser bom. As atuações sólidas, Anne Hathaway de collant, o tom geral, as sequências de luta (a surra que o Bane dá nele, sem trilha sonora alguma, só com o barulho da porrada, é brutal e sensacional), Anne Hathaway de collant, um roteiro inteligente, Anne Hathaway de collant, Anne Hathaway de collant, dentre outros, tornaram o filme épico, ágil e interessante. E eu gostei do final do filme. Embora meio óbvio e clemente, fecha bem com Wayne simplesmente deixando aquilo para trás, mantendo a lenda viva.

Eu certamente verei esse filme de novo, e talvez tenha algumas perguntas respondidas, e minha mente aquietada. Nós confiamos em Nolan, e percebe-se que ele realmente tentou entregar o que queríamos. Mas a missão era muito difícil de começo – CDT permanece como um dos melhores filmes que já vi na vida, e se CDTR não consegue atingir seu nível, oferece um encerramento honesto e correto para o Batman de Christopher Nolan. Seu ciclo foi completado, e agora só nos resta esperar mais alguns anos para um novo diretor nos apresentar um novo ângulo de maior e mais importante herói da história dos quadrinhos e, agora também, do cinema.

Eu (não vou falar pelo 88 Milhas por Hora aqui, já que temos opiniões dissonantes) dá para este filme 7,834 batarangues sônicos.

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