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A Voz da Sabedoria: O Homem de Aço

08/07/2013

Homem de Aço Man of Steel Poster FilmeFinalmente, saiu o tão aguardado e “marketing-viralado” (péssima, reconheço!) Man of Steel (O Homem de Aço). Bom, pelo menos nos Estados Unidos. Mas isso não vem ao caso. O que importa é que eu assisti ao bendito filme (duas vezes!). Dito isto, vamos à resenha.

Serei sucinto: o filme é bom. Ele tem bons momentos. Mas isso não diz muita coisa.

Na realidade, acho que Zack Snyder e cia. acrescentaram alguns elementos novos à mitologia do super-herói mais imponente de todos (na DC). Ponto para eles. Henry Cavill não apenas convenceu, como ele é o Super-Homem para esta geração. Mandou muito bem mesmo. Ponto para ele. O elenco, no geral, foi muito bem escolhido. Não tenho maiores reservas a este respeito. Pontos para todos. Achei prudente e acertada a escolha de humanizar o super-homem. O que resultou em um Deus olímpico. A Grécia antiga permanece como forte referência para a cultura de Krypton (não é acaso, a dada altura do filme, o jovem Clark aparecer lendo Platão). Ele anda entre os mortais, mas sente como eles: raiva (fúria), amor, compaixão, tem senso de moralidade etc.; e na hora de escolher entre vida e morte ele não vacila: suja as suas próprias mãos – apesar de ser consumido pela culpa. Isso não é propriamente uma novidade per se, mas ele fazer o serviço sujo é diferente de ele não fazer nada para salvar seus inimigos, como em Superman II, de 1980. Não o tornaram também tão “American Way”, mas ele decididamente bebe nessa fonte (o Clark é um “redneck”, foi criado no interior do Kansas!), apesar de não apenas ser essa sua única matriz.

Quanto aos problemas, não sei dizer se foi a expectativa criada pelos trailers, o roteiro ou a execução do mesmo dentro do tempo disponível para um filme como esse. Assim, honestamente não sei dizer se a trama (“o que aconteceria se um um alienígena superpoderoso vivesse entre nós”) prejudica o ritmo do filme ou se a duração limite é que o faz. Nesse sentido, ponto para o clássico de 1978, pensado para serem dois filmes – o que foi sábio! Talvez isso desse certo aqui também, mas não farei comparações injustas. Até porque, diferentemente do filme-tributo de Brian Singer (Superman Returns, 2006), Man of Steel tinha a obrigação de desvincular a ideia do Super-homem no cinema dessa referência clássica e reinventar a franquia. Acho que conseguiram.

Em Man of Steel temos desde o primeiro frame uma avalanche de informações novas. Muitas delas são concepções inéditas e muito legais, que mereciam maior tempo de tela, na construção do background (origens) do protagonista e do universo kryptoniano. Como todo primeiro filme (ou reboot) de uma franquia sobre uma personagem tão emblemática este tipo de trabalho tem que ser meticulosamente bem feito. Por vezes, a história ficou corrida demais. Os clichês de “primeiro filme de super-herói” também estão todos lá, tipo: “acabei de descobrir o que posso fazer, mas na primeira tentativa, quebrei a cara”. Tem que ter, mas já se tornou batido.

O filme se divide em duas partes, uma estratégia que eu francamente não gostei: 1) uma longuíssima introdução (até a hora em que Clark encontra Jor-El) repleta de cortes abruptos e/ou encontros inexplicáveis, em que flashbacks ajudam a colocar as ideias “no lugar”; e 2) o restante do filme. Tudo pelo didatismo, certo? Infelizmente, é isso. Quer dizer, ao terem de cortar aqui e acolá para que o filme ficasse dentro do padrão blockbuster que o estúdio exigiu, eles tiveram acelerar muito o ritmo e enxertar alguns diálogos “pra lá” de pouco convincentes entre as personagens. Parece que todo mundo que vai assistir ao filme tem algum tipo de handicap. Eu poderia citar vários exemplos. Darei apenas um [SPOILER ALERT!]

Os puristas vão pirar quando lerem isso, mas ficou HQ demais! Explico: primeiramente, nada contra, pelo contrário! Mas para um filme, sei lá, simplesmente não me convenceu o fato de todo o plano para a derrocada de Zod e seus asseclas ter sido engendrado pela Lois Lane (via Jor-El)! E ela ter explicado isso às demais personagens em apenas duas frases curtas que, após terem sido ditas, os terráqueos já pegavam imediatamente o fio da meada e complementavam com as suas próprias explicações o arcabouço teórico de um plano que envolvia um profundo conhecimento da tecnologia kryptoniana para reverter a nave de Zod em um buraco negro que colapsaria em si mesmo… Trata-se de um evento de importância absolutamente decisiva para a trama, e ele só aconteceu porque dona Lois Lane esteve na nave de Zod e teve contato com a “consciência” de Jor-El. Ah sim! Eu não disse que ela foi convocada pelo próprio Zod para embarcar na nave dele? Pois é, foi. A questão é por quê? Por que essa humana desprezível seria convocada à presença de Zod,que já havia, inclusive, pego Kal-El? Essa razão ninguém quis (ou poderia) explicar, nem didaticamente. Porque era a única mulher? A única sem algum tipo uniforme na cena? Enfim… [Fim do Spoiler!]

As cenas de ação são bem extravagantes, bem ao gosto de Snyder. Com jogos de aceleração e redução da velocidade da cena como ele já explorou em outras ocasiões, privilegiando o contato físico. Há quem goste ou não. O diretor de Suckerpunch levou ainda mais ao extremo o que fizera em 300, Watchmen e no seu filme “garotas superpoderosas-meet-Frank Miller” (maldade a minha) já citado. Eu arrisco dizer que a linguagem se aproximou bastante de alguns desenhos recentes da Liga da Justiça ou mesmo do Homem de Aço e o visual pareceu com alguns videogames mais recentes. Em resumo, Super-Homem não segura a mão na hora de bater em seus conterrâneos. E a proporção das batalhas e da destruição realmente me fizeram pensar na frase do Coringa (de Heath Ledger) acerca de quantas pessoas o “herói” estaria disposto a deixar morrerem, só para pegá-lo? No caso do Batman foram umas poucas dezenas. No do azulão… Bem, digamos que a já “Transformers-ish” batalha final de Os Vingadores pareceu brincadeira de criança.

Outro ponto que me deixou pouco à vontade foi o sem número de referências a outros filmes. Independence Day e Contato foram os mais gritantes. Há referências também à Matrix (a culpa só pode ser do Laurence Fishburne, o Perry White, got it?). O visual de Krypton e as cenas de batalha por lá me levaram à Guerra dos Clones, de Star Wars: a linguagem visual e mesmo os efeitos sonoros foram exatamente os mesmos. E o que dizer da história de Krypton retratada graficamente em “liquid-geo” (metal líquido do T-1000, só que made in Krypton) estilo art déco? Pessoal que “mexe com design” vai achar um luxo!

Resumindo (e me justificando): this is not an Ass… speaking. Assim, reitero que achei o filme bom. Sim, carreguei nas críticas, é verdade. Mas acredito piamente que o filme dá margem para sequências menos comprometidas com o ter de lidar com tantas questões em um filme apenas. O grande desafio foi vencido: reinventar o Superman no cinema. Cabe agora esperar e vermos o que virá a partir daí e mesmo a expansão do universo DC. Promessas e especulações nesse sentido não faltam: Liga da Justiça, o encontro com o Cavaleiro das Trevas… Enfim, sonhar não custa nada, afinal, aquele “S” significa esperança.

Assim, O Homem de Aço ganha 7,5kg de Kryptonita azul.

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4 Comentários leave one →
  1. 08/07/2013 20:36

    Comecei a ler sem checar a autoria da resenha. Até a frase que contem o trecho entre aspas, mencionando design, eu tinha certeza de que o texto pertencia ao honorável Mr, Ed, Derbli.
    Cruzes!…
    Se não vou me aprofundar no conteúdo da resenha?…
    Hoje não. Ainda estou num ritmo muito “manifestante brasileiro”….

    • ivan permalink
      05/08/2013 01:21

      Resposta conteudal: Senhor Dé, quanta amargura no coração…
      Pra que isto, pra quê???

  2. Andre de Lemos permalink
    05/08/2013 10:58

    Deve ser a rebordosa do meu período de “manifestante brasileiro”…

Trackbacks

  1. “Eu quero que você se lembre, Clark…” | 88 Milhas por Hora

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